Uma nova oportunidade para Portugal

Nos dias de hoje, parece consensual que a insuficiente valorização política da formação e qualificação dos portugueses no passado é o mais pesado factor de atraso do nosso desenvolvimento económico e social. Por isso, não parece demais exigir que este seja um verdadeiro e absoluto desígnio nacional que deve envolver todos, a começar pelos decisores políticos, sem lugar para demagogia ou irresponsabilidade.

Aliás, quando, por força da evidência das circunstâncias económicas, se define um rumo de aposta inequívoca na modernização, na inovação e na tecnologia, torna-se necessário reflectir e perspectivar, permanentemente, a eficácia das estratégias que visam conciliar a ambição colectiva de crescimento e progresso com a realidade social que temos e vivemos.

O exemplo da estratégia que consubstancia a iniciativa Novas Oportunidades, felizmente, ultrapassou com resultados, as piores expectativas de quem a tentou depreciar, resumindo-a a um “golpe” publicitário. Já ninguém questiona hoje a pertinência da mensagem “Aprender Compensa” na boca de Carlos Queirós, Judite Sousa ou Maria Gambina.

Falar dos 352 mil adultos abrangidos ou dos 269 Centros Novas Oportunidades criados, pode impressionar, mas o mais notável são as surpreendentes histórias pessoais de coragem e sacrifício por detrás dos números. Entre os inscritos, 64% no Básico e 79% no Secundário, são empregados, isto é, são pessoas que após o seu horário de trabalho abdicam do seu tempo de descanso e lazer, em nome de um esforço adicional de melhoria das suas competências e qualificações, beneficiando-se a si, a sua empresa e o país.

Podemos igualmente assinalar a opção tomada na definição do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), que canalizará fundos comunitários até ao ano de 2013, com uma aposta, nunca antes verificada, nas políticas de qualificação e formação. Com efeito, o Programa Operacional para o Potencial Humano, previsto no QREN, disponibilizará cerca 8,8 mil milhões de euros para as mais diversas iniciativas neste âmbito.

Nunca na sua história, Portugal dispôs, como no presente, de condições tão favoráveis para investir seriamente no seu maior recurso, os portugueses. Ainda assim, porque não podemos esquecer os erros do passado, importa sublinhar a necessidade de rigor e a credibilidade na concretização destas medidas e estratégias, expurgando impiedosamente quaisquer sinais de facilitismo ou desperdício. Porque para Portugal, a oportunidade é agora!

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